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Soneto Beijo as Suas Mãos

De leve beijo as suas mãos pequenas,
Alvas, de neve, e logo, um doce, um breve,
Fino rubor lhe tinge a face, apenas
De leve beijo as suas mãos de neve.

Ela vive entre lírios e açucenas,
E o vento a beija e, como o vento, deve
Ser o meu beijo em suas mãos serenas:
- Tão leve o beijo, como o vento é leve.

Que essa divina flor, que é tão suave,
Ama o que é leve, como um leve adejo
De vento ou como um garganteio de ave,

E já me basta, para meu tormento,
Saber que o vento a beija, e que o meu beijo
Nunca será tão leve como o vento...
Soneto Beijo as Suas Mãos
De leve beijo as suas mãos pequenas,
Alvas, de neve, e logo, um doce, um breve,
Fino rubor lhe tinge a face, apenas
De leve beijo as suas mãos de neve.

Ela vive entre lírios e açucenas,
E o vento a beija e, como o vento, deve
Ser o meu beijo em suas mãos serenas:
- Tão leve o beijo, como o vento é leve.

Que essa divina flor, que é tão suave,
Ama o que é leve, como um leve adejo
De vento ou como um garganteio de ave,

E já me basta, para meu tormento,
Saber que o vento a beija, e que o meu beijo
Nunca será tão leve como o vento...
Zeferino Brasil (1870-1942)

Zeferino Brasil (1870-1942)

 
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