Poema É Páscoa, ainda e sempre, Também!

Ontem, como hoje,
Deus continua falando.
No silêncio, talvez
Nos gritos de desespero, de indignação, de vitória...
Certamente!

E fala ainda pela boca das faladeiras
(Em quem não se deve acreditar?)
Mulheres, negros, índios, menores, sem-terra, sem-teto, sem-emprego...
E fala na língua das minorias (maiorias?)
Não na língua universal, correndo o risco de desaparecer
(Mas ousa correr esse risco!)

Fala daquilo que não se encontra nem se entende
Nem nos shopings,
Nem nas bolsas de valores,
Nem no FMI
(Mandam no Brasil).

E fala de muitos modos:
Com ternura (bem-vindos, contem comigo, coragem, sê forte, não desanime...)
Com indignação (ai de vós, afastai-vos, malditos...)
Com desespero (por que me abandonaste?...)
Chorando (sob o cálice amargo no horto...)
Calando (na cruz...)
Emocionado (Ele não está aí, RESSUSCITOU!)

Fala de exílio e êxodo (sim, êxodo também!)
Fala do banquete (não o “real”, mas o popular)

Fala da comida (que sacia e faz viver a todos/as)
Fala da festa (enlutada, é claro. Afinal, muitos continuam crucificados)

Fala da roupa da festa (perseverança, ânimo, coragem, resistência, teimosia...)
Eis que a noite é longa, mas o gozo, eterno.

Fala da receita (não a do mercado neoliberal, mas a da solidariedade global e globalizada!)

Fala a(o)s cozinheiro(a)s: “vocês são meus filho(a)s muito amado(a)s”!

Fala a(o)s convidado(a)s: “venham, vocês que são abençoados”; recebam como herança o reino desde sempre preparado para vocês”!

É PÁSCOA! (Hoje, como sempre!)